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Programa Campos do Sul

O Programa Campos do Sul tem como objetivo garantir a conservação dos campos nativos dos biomas Pampa e Mata Atlântica. Baseado na oferta da assistência técnica especializada, o programa visa incentivar proprietários rurais a adotarem boas práticas ambientais e de manejo, garantindo a proteção dos serviços funcionais e ecossistêmicos dos ambientes campestres e da sua diversidade biológica.

A partir da análise do cadastro, o produtor receberá um certificado de adesão e de conformidade emitido pela Sema. As propriedades poderão se enquadrar nos níveis: Básico, Intermediário ou Avançado, dependendo das práticas de manejo e de conservação adotadas. 

Nível Básico:

A inscrição de uma área de campo nativo funcional mantida com atividades compatíveis com a sua conservação garante o enquadramento no nível básico do programa.

Nível Intermediário:

A adoção complementar de pelo menos 50% das boas práticas ambientais e de manejo sustentável recomendadas dará direito à inscrição no nível intermediário.

Nível Avançado:

Além dos requisitos dos níveis anteriores, o proprietário que adotar ao menos uma das práticas recomendadas que resultem em benefícios à biodiversidade, terá direito à inscrição no nível avançado.

Critérios mínimo para inclusão de propriedades

Poderão ser cadastradas no Programa Campos do Sul, áreas de campo natural com superfície contínua mínima correspondente a 20% da área da propriedade, para propriedades com tamanho igual ou inferior ao módulo rural médio do COREDE em que se situa ou 10 ha, para propriedades maiores.

Para propriedades rurais pequenas é possível certificar um conjunto de áreas menores, desde que sejam contíguas e, somadas, alcancem a superfície mínima definida no programa (modalidade consórcio).

Todas as propriedades devem receber algum tipo de assistência técnica de extensão ou acompanhamento.

As áreas declaradas como reserva legal e de preservação permanente da propriedade ou a serem restauradas não serão passíveis de certificação.

Como se cadastrar?

O cadastramento é efetivado no Sistema On-line de Licenciamento Ambiental (SOL) via formulário específico que está disponível no código de atividade 20200,00 – CONSERVAÇÃO DE CAMPOS NATIVOS.

Tutorial de cadastro - Programa Campos do Sul

INFORMAÇÕES GERAIS DO PROGRAMA 

Estabelecem-se os seguintes conceitos e definições para fins de aplicação no reconhecimento da manutenção de área de campo nativo exercendo-se atividades compatíveis com a sua conservação:

Campo natural

Enquadram-se como campo natural, sendo elegíveis para inscrição, áreas que atendam conjuntamente os seguintes critérios:

  • dominância fisionômica de gramíneas características da região na comunidade herbácea;
  • predomínio (>50% da cobertura vegetal medida no nível do solo) de espécies herbáceas nativas no verão;
  • até 30% de cobertura de árvores esparsas;
  • até 70% de cobertura de arbustos (plantas lenhosas arbustivas);
  • pelo menos 30 anos sem desmatamento ilegal.

Serviços ecossistêmicos

São as contribuições e benefícios, de natureza tangível ou intangível, que os ecossistemas fornecem para o sustento e o bem-estar humano.

Campo nativo funcional

Campo natural que, por suas características e extensão, cumpre pelo menos parte de suas funções ecológicas e socioculturais originais, incluindo o provimento de serviços ecossistêmicos.

Principais serviços ecossistêmicos:

  • estabilização e proteção do solo e dos recursos hídricos;
  • purificação da água;
  • recarga de aquíferos;
  • resistência contra eventos climáticos extremos (estiagens ou enxurradas);
  • captura e retenção de carbono atmosférico;
  • ciclagem de nutrientes;
  • manutenção de populações de espécies que atuam como predadores, controladores de pragas e polinizadores;
  • provimento de habitat para biodiversidade nativa;
  • proteção contra invasões biológicas;
  • fornecimento de forragem para pecuária;
  • provisão de recursos genéticos;
  • formação de paisagens que promovem turismo, cultura e identidade gaúcha.

DEFINIÇÕES DE MANEJO

Manejo sustentável

Administração dos recursos naturais para obtenção de benefícios econômicos, sociais e ambientais, respeitando os mecanismos do ecossistema.

Pecuária extensiva

Sistema em que a alimentação animal é basicamente a pasto, com pouco uso de insumos externos.

Sistema pastoril extensivo

Conjunto de tecnologias e práticas que caracterizam a pecuária extensiva.


CRITÉRIOS MÍNIMOS PARA INCLUSÃO

  • Apenas áreas que cumpram os critérios de campo natural podem ser certificadas.
  • Área mínima:
    • 20% da propriedade (para pequenas propriedades);
    • ou 10 hectares (para propriedades maiores).
  • É possível certificar mais de uma área por propriedade.
  • Áreas podem ser somadas entre propriedades vizinhas, se contíguas.

Restrições:

  • Áreas de Reserva Legal e APP não podem ser certificadas.
  • Áreas em restauração não podem ser certificadas inicialmente.
  • Após recuperação, podem ser incluídas.

NÍVEIS DE CERTIFICAÇÃO

Nível básico

  • Atendimento aos critérios mínimos.

Nível intermediário

Requer nível básico + adoção de pelo menos 50% das boas práticas:

Boas práticas incluem:

  • prevenção do sobrepastejo;
  • ajuste da carga animal;
  • oferta adequada de forragem;
  • isolamento temporário de áreas (diferimento);
  • melhoria e enriquecimento das pastagens;
  • equilíbrio entre espécies;
  • uso responsável de espécies exóticas;
  • diversificação do manejo;
  • subdivisão de áreas;
  • diversificação do rebanho;
  • bem-estar animal;
  • conservação do solo:
    • prevenção de erosão;
    • controle de voçorocas;
    • proteção de drenagens.

Além disso:

  • manutenção de espécies vegetais nativas ameaçadas.

Nível avançado

Requer nível intermediário + pelo menos uma prática adicional:

Práticas avançadas incluem:

  • proteção de habitats críticos;
  • aumento da heterogeneidade da vegetação;
  • roçadas em mosaico;
  • variação de carga animal;
  • isolamento estratégico de áreas;
  • manutenção de áreas com baixa pressão de pastejo;
  • projetos de restauração;
  • limitação de insumos externos;
  • corredores ecológicos;
  • controle de espécies invasoras;
  • manejo do uso do fogo;
  • métodos amigáveis contra aves;
  • criação de áreas protegidas (ex: RPPN);
  • prática de agricultura orgânica.

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